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Espermograma: Para que serve e quando fazer

4 de set.
6 min de leitura

O espermograma é um dos exames mais solicitados quando o assunto é saúde reprodutiva masculina. Ele costuma entrar em cena em investigações de infertilidade do casal, no planejamento de uma gravidez ou até no acompanhamento de rotina de quem já passou por procedimentos como vasectomia. Apesar de ser um exame simples de realizar, os resultados reúnem várias informações técnicas que nem sempre são fáceis de interpretar sem ajuda especializada.

Neste artigo, você vai entender o que o espermograma avalia, para que ele serve na prática, quando costuma ser indicado, como funciona o preparo para a coleta e o que significam os principais parâmetros do laudo.

O que é o espermograma

O espermograma, também chamado de análise seminal ou seminograma, é um exame laboratorial que avalia as características físicas, químicas e microscópicas do sêmen. A partir de uma amostra, o laboratório analisa aspectos como volume, cor, viscosidade, quantidade de espermatozoides, capacidade de movimento (motilidade), formato das células (morfologia) e presença de outros elementos, como leucócitos.

O exame segue parâmetros técnicos internacionais, atualizados periodicamente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no chamado Manual de Laboratório da OMS para o Exame e Processamento do Sêmen Humano, atualmente em sua 6ª edição, publicada em 2021. Esses parâmetros funcionam como referência para que diferentes laboratórios avaliem os resultados de forma padronizada.

Para que serve o espermograma

O principal objetivo do espermograma é avaliar a fertilidade masculina, mas suas aplicações vão além disso. Entre as situações em que o exame é útil, estão:

  • Investigação de infertilidade em casais que tentam engravidar há mais de 12 meses sem sucesso (ou 6 meses, quando a mulher tem mais de 35 anos).

  • Avaliação pré-tratamento em processos de reprodução assistida, como inseminação artificial e fertilização in vitro.

  • Confirmação da eficácia da vasectomia, verificando a ausência de espermatozoides no sêmen (espermograma pós-vasectomia).

  • Investigação de possíveis efeitos de doenças, cirurgias, medicamentos, quimioterapia ou radioterapia sobre a fertilidade.

  • Avaliação de rotina em bancos de sêmen, para doação ou criopreservação.

Quando o exame é indicado

O espermograma costuma ser solicitado por urologistas, andrologistas ou especialistas em reprodução humana sempre que há suspeita de fator masculino associado à dificuldade de engravidar. Também pode ser pedido em check-ups mais completos de saúde reprodutiva, especialmente para homens que pretendem ter filhos no futuro e querem antecipar uma possível investigação.

Vale destacar que um resultado alterado em um primeiro exame não é motivo para alarme imediato: fatores como estresse, febre recente, uso de álcool, tabagismo, calor excessivo (banheiras quentes, saunas) e até o tempo de abstinência sexual podem interferir temporariamente na qualidade do sêmen. Por isso, é comum que o médico solicite uma segunda coleta, com intervalo de algumas semanas, antes de tirar conclusões.

Como é feita a coleta e qual o preparo necessário

A coleta da amostra geralmente é feita por masturbação, em ambiente reservado dentro do próprio laboratório ou, em alguns casos, em casa, desde que a amostra chegue ao laboratório dentro do prazo recomendado (em geral, até 1 hora após a coleta, mantida próxima à temperatura corporal). Preservativos comuns não devem ser usados, pois contêm substâncias espermicidas que comprometem o resultado; quando necessário, o laboratório fornece um preservativo específico, sem lubrificantes ou conservantes.

Para um resultado mais confiável, algumas orientações de preparo costumam ser recomendadas:

  • Abstinência sexual (sem ejaculação) de 2 a 7 dias antes da coleta, período recomendado pela OMS para padronizar a análise.

  • Evitar consumo excessivo de álcool e evitar fumar nos dias que antecedem o exame.

  • Informar ao laboratório sobre uso recente de medicamentos, febre ou infecções, já que esses fatores podem alterar o resultado.

  • Evitar exposição a calor intenso (sauna, banheira quente, bolsa térmica na região genital) nos dias anteriores.

O que o espermograma avalia: principais parâmetros

O laudo do espermograma traz diversos parâmetros. Os principais, com os valores de referência mínimos estabelecidos pelo Manual da OMS (6ª edição, 2021), estão resumidos na tabela a seguir.

Parâmetro

Valor de referência (OMS 2021)

Volume seminal

≥ 1,4 mL

pH

≥ 7,2

Concentração espermática

≥ 16 milhões/mL

Número total de espermatozoides

≥ 39 milhões por ejaculado

Motilidade progressiva

≥ 30%

Motilidade total (progressiva + não progressiva)

≥ 42%

Vitalidade (espermatozoides vivos)

≥ 54%

Morfologia normal

≥ 4%


Esses números representam o limite inferior de referência (5º percentil) de uma população de homens com fertilidade comprovada, e não um valor "ideal" fixo. Ou seja, estar abaixo de um parâmetro isolado não define, por si só, um diagnóstico de infertilidade, a avaliação é sempre feita em conjunto e no contexto clínico do paciente.

Alterações mais comuns no espermograma

Algumas alterações têm nomenclatura própria e aparecem com frequência nos laudos. Conhecer esses termos ajuda a entender melhor a conversa com o médico:

  • Oligozoospermia: concentração de espermatozóides abaixo do valor de referência.

  • Astenozoospermia: motilidade dos espermatozóides reduzida.

  • Teratozoospermia: percentual de espermatozóides com morfologia normal abaixo do esperado.

  • Azoospermia: ausência de espermatozóides no ejaculado.

  • Necrozoospermia: percentual reduzido de espermatozóides vivos (vitalidade baixa).

É comum que um paciente apresente mais de uma alteração associada, por exemplo, oligoastenozoospermia, quando concentração e motilidade estão reduzidas simultaneamente. Diante de qualquer alteração, o especialista pode solicitar exames complementares, como avaliação hormonal, exame físico, ultrassom ou testes genéticos, para investigar a causa.

Fatores do dia a dia que podem afetar a qualidade do sêmen

A produção de espermatozoides é um processo contínuo, que leva cerca de 70 a 90 dias para se completar. Isso significa que hábitos e exposições dos últimos três meses podem influenciar diretamente o resultado do espermograma. Entre os fatores mais associados a uma queda temporária ou mais duradoura na qualidade seminal, estão:

  • Tabagismo, que reduz a concentração e a motilidade dos espermatozoides.

  • Consumo excessivo de álcool e uso de substâncias ilícitas.

  • Obesidade e sedentarismo, associados a alterações hormonais que impactam a produção espermática.

  • Exposição frequente a calor excessivo na região genital (notebook no colo, banhos muito quentes, profissões que exigem longos períodos sentado ou perto de fontes de calor).

  • Estresse crônico e privação de sono.

  • Exposição ocupacional a agrotóxicos, solventes e metais pesados.

  • Uso de esteroides anabolizantes, que podem reduzir drasticamente a produção de espermatozoides.

  • Varicocele (dilatação das veias do testículo), uma das causas físicas mais comuns de alteração seminal.

Boa parte desses fatores é modificável. Por isso, em muitos casos, orientações simples de estilo de vida já contribuem para melhorar os parâmetros seminais ao longo dos meses seguintes, especialmente quando associadas ao tratamento de causas específicas identificadas pelo especialista.

O papel do espermograma na reprodução assistida

Em tratamentos de reprodução assistida, o espermograma vai além de apenas confirmar se há ou não espermatozoides no sêmen: ele ajuda a definir qual técnica é mais indicada para o casal. Casos com alterações leves podem ser conduzidos com inseminação intrauterina, enquanto alterações mais significativas de concentração, motilidade ou morfologia costumam direcionar para fertilização in vitro (FIV), com ou sem a técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), em que um único espermatozóide é selecionado e injetado diretamente no óvulo. Por isso, o exame é uma peça-chave no planejamento terapêutico, não apenas na etapa diagnóstica.

Resultado alterado significa infertilidade?

Não necessariamente. A fertilidade masculina depende de múltiplos fatores, e o espermograma é apenas uma peça da investigação. Muitas alterações são temporárias, reversíveis ou tratáveis, seja com mudanças de hábito, tratamento de infecções, ajuste de medicações ou intervenções específicas. Por isso, o acompanhamento com um especialista é fundamental para interpretar o resultado dentro do contexto clínico completo e definir os próximos passos, quando necessário.

Perguntas frequentes

O espermograma dói ou oferece algum risco?

Não. É um exame indolor e sem riscos, já que a coleta é feita por masturbação em ambiente reservado.

Preciso estar em jejum para fazer o exame?

Não é necessário jejum. O principal preparo é o período de abstinência sexual de 2 a 7 dias antes da coleta.

Posso fazer a coleta em casa?

Em alguns casos sim, desde que a amostra seja entregue ao laboratório dentro do prazo recomendado e mantida próxima à temperatura corporal. O ideal é confirmar essa possibilidade diretamente com o laboratório.

Preciso de pedido médico para fazer o espermograma?

Recomenda-se solicitação médica, pois é o profissional que vai interpretar o resultado dentro do contexto clínico e indicar os próximos passos, se necessário.

Quantas vezes é preciso repetir o exame?

Quando o primeiro resultado apresenta alguma alteração, é comum que o médico peça uma segunda coleta, com intervalo de algumas semanas, para confirmar o achado antes de qualquer conclusão.

Se você e seu parceiro ou parceira estão em processo de investigação de fertilidade, ou simplesmente querem fazer um check-up reprodutivo, o Analysis Laboratório está preparado para realizar o espermograma com toda a orientação necessária antes, durante e depois da coleta. Agende seu exame e conte com um laudo claro para levar à sua consulta médica.





Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. A interpretação dos exames de tireoide deve sempre ser feita por um profissional de saúde, considerando o histórico clínico completo


 
 
 

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